
Bodo: Festival de Folclore marca o ritmo e leva a tradição para cima do palco
Não há Festas do Bodo sem que a tradição e os costumes estejam bem marcados em mais do que uma iniciativa, mas um dos momentos altos realiza-se na noite de domingo, no jardim do Cardal, com o Festival que volta a convidar grupos de todo o país mostrando viveres tão próximos e tão distintos, com usos e costumes, danças e cantares tão diferenciados.
Uma das presenças garantidas é a do Rancho Típico de Pombal, um grupo cheio de história e cujas danças assentam em três características: rodízio, rodopio e marcadinho, sendo os trajes domingueiros e de trabalho, para além de conter uma tocata composta por acordeões, violas, cavaquinhos, ferrinhos e reco-reco.
“Tem sido nosso lema honrar o nome de Pombal e procurar corresponder ao que nos é imposto pelas raízes dos nossos usos e costumes, danças e cantares. Com um pouquinho de vaidade que não nos pode ficar mal, afirmamos que temos cumprido o nosso dever”, enalteceu o presidente da direção do Rancho, Miguel Ribeiro.
Segundo o responsável, o grupo tem no ativo 50 elementos, apresentando-se como um rancho intergeracional em que o mais novo tem 2 anos e o mais velho tem 93 anos, sendo que a média de idades é de 25 anos. “O nosso grupo está bem composto, mas, no entanto, estamos sempre a trabalhar em eventos para captação de novos elementos”, referiu Miguel Ribeiro, dando como exemplo a presença em escolas da região, e noutros locais onde fazem “apresentações” e exercitam “algumas modas”, para além dos “ensaios aberto de verão no centro da cidade para cimentar a prática do folclore” do grupo, levando “o ensaio aos pombalenses”.
Ainda assim, Miguel Ribeiro confessa que o Rancho tem dificuldade em arranjar elementos para a prática do folclore do sexo masculino, aproveitando para fazer um apelo a todos aqueles que gostam do folclore para se juntarem ao rancho juntam-se a nós, com os ensaios a decorreram todas as sexta-feira pelas 21h30 na escola secundaria de Pombal.
Sobre a presença no festival de folclore, Miguel Ribeiro não quer levantar o véu sobre o que se vai poder ver e ouvir em cima do palco, mas garantiu que o festival é dos que mais público junta, “com a presença de milhares de pessoas a assistir”.
Para além do Rancho Típico de Pombal, o festival vai contar com a presença da Associação Grupo Etnográfico Os Pescadores do Castelo (Leça da Palmeira, Porto), do Grupo Etnográfico Danças e Cantares do Minho, do Rancho Folclórico Os Camponeses de Riachos (Torres Novas) e do Rancho Região de Leiria.
Em relação ao futuro, o presidente da direção diz que o objetivo passa por “garantir e preservar a continuidade” da cultura pombalense ao longo dos anos, estando a preparar as comemorações dos 75 anos de história do Rancho Típico de Pombal, com muitas surpresas pelo caminho.
Rancho prepara 75.º aniversário
Fundado em 1951, o Rancho Típico de Pombal (que teve a sua origem no Rancho Flores de Pombal), levou a cabo uma recolha etnográfica por todo o concelho, fazendo parte do seu reportório músicas e recolhidas em diversas freguesias, nomeadamente junto dos seniores de Redinha, Abiul, Vermoil, Meirinhas, Vila Cã e Pombal.
Tem atualmente seis discos gravados. Efetuou seis atuações na RTP, (num programa sobre folclore dirigido por Pedro Homem de Melo), tendo sido o primeiro rancho folclórico a atuar na radiotelevisão, quando esta ainda se encontrava em regime experimental.
Recebeu a Medalha de Prata de Mérito Municipal e foi honrado toponimicamente com a atribuição do seu nome e uma das ruas da cidade de Pombal. É fundador da Federação do Folclore Português, tendo também contribuído para a fundação da Associação Folclórica da Região de Leiria.|







