
Uma centena de casas intervencionadas das 525 afetadas em Castanheira de Pera
Uma centena de habitações das mais de 500 afetadas pelo mau tempo no concelho de Castanheira de Pera já foram intervencionadas, com reposição de telhas e colocação de lonas, divulgou hoje aquela Câmara do distrito de Leiria.
“No que diz respeito a habitações, foram identificadas 525 afetadas. Para dar auxílio a esta questão, foram criadas equipas dedicadas ao levantamento das habitações danificadas e equipas para dar resposta imediata às situações mais urgentes”, refere o município numa nota de imprensa enviada à agência Lusa, adiantando que, “até à data de hoje, foram intervencionadas 104 habitações entre reposição de telhas e colocação de lonas”.
No estaleiro municipal, a autarquia disponibilizou um banco de telhas gratuito, enquanto no pavilhão municipal há acesso a banhos quentes gratuitos.
Já no quartel dos bombeiros e na Biblioteca Municipal há espaço para carregamento de equipamentos e acesso à Internet, sendo que nesta última é possível, também, trabalho remoto.
Realçando que o concelho não tem registo de vítimas devido ao mau tempo, o município presidido por António Henriques explica que as equipas de ação social, com a colaboração da Misericórdia de Castanheira de Pera, “asseguraram de imediato o apoio à população mais vulnerável”.
Foram acompanhadas um total de 303 pessoas, incluindo sete desalojados e oito doentes com necessidades de oxigenoterapia diária, e uma sala da Misericórdia acolheu pessoas com patologia de apneia do sono.
A quase 20 famílias foi dado “apoio com materiais como lanternas e pilhas” e outras sete “receberam produtos alimentares”.
Para alargar o apoio à comunidade, foi criado “um grupo de trabalho para auxiliar a população no levantamento de danos e pedidos de apoio”, podendo os munícipes ir aos Paços do Concelho ou ao serviço móvel que começou hoje a percorrer as aldeias do concelho.
Segundo a Câmara, que ativou o Plano Municipal de Emergência na manhã de 28 de janeiro, quando a depressão Kristin atingiu o concelho, as principais ocorrências identificadas foram queda de árvores sobre vias públicas, habitações e infraestruturas e associada a movimentos de massa.
Foram ainda registadas queda parcial ou total de estruturas edificadas, inundações em habitações, resultantes de danos em telhados, danos em cabos e postes da rede de comunicações (móvel e fixa) e danos em cabos e postes da rede de elétrica.
“Nas infraestruturas elétricas de média tensão, foram identificadas 60 danificadas. Na baixa tensão os danos ainda se encontram a ser contabilizados”, adianta a Câmara, assinalando que a reposição da energia elétrica está “praticamente regularizada, com exceção de alguns casos pontuais”.
Quanto às telecomunicações, os danos na rede fixa “são grandes e difíceis de contabilizar”, sendo que a situação está “parcialmente regularizada”, acrescenta.
A semana passada, o presidente do Município de Castanheira de Pera estimou em cinco milhões de euros os prejuízos no concelho após a depressão Kristin, referindo então haver danos em 550 habitações.
“São cerca de 600 infraestruturas e habitações com danos”, disse na ocasião.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.







