
Vizinhos e comerciantes descrevem Seguro como “discreto” e “humilde”
Durante muitos anos foi apenas mais um vizinho. Aquele que cumprimentava quem encontrava, passava discreto, que entrava e saía sem dar nas vistas. Desde domingo, porém, a rua onde mora António José Seguro ganhou outra visibilidade. E os vizinhos começam agora a habituar-se à ideia de ter um Chefe de Estado na porta ao lado.
“De vez em quando anda por aqui… Agora começa a andar menos”, constatou Martinho Branco, que vive a poucos metros da casa de Seguro e que descreve a sua relação com a comunidade de uma forma positiva. “É boa pessoa, é humilde e uma pessoa de família”.
Ao nosso jornal, Martinho Branco recordou o sogro de António José Seguro, farmacêutico e conhecido como “o salva-vidas”. “Quando havia um problema era com ele que íamos ter”, acrescentou.
António José Seguro não nasceu nas Caldas da Rainha - é natural de Penamacor - mas há muitos anos que escolheu a cidade para viver. E mesmo podendo ter o Palácio de Belém como residência oficial, António José Seguro prefere continuar a residir naquela rua e manter as raízes, que se consolidaram também através da família da esposa, Margarida Maldonado, há décadas ligada à farmácia local.
Quando questionado pela nossa equipa de reportagem sobre o que poderá levar de positivo para a cidade das Caldas da Rainha esta eleição, Martinho Branco não hesitou em falar da segurança acrescida. “Como ele vai residir aqui, vai haver policiamento permanente”, constatou.
A descrição repete-se porta a porta: discreto, reservado, correto. Mesmo encostada à porta de entrada do prédio onde vive José António Seguro, conversámos com Sara Duarte, responsável por uma loja de chocolates que falou num homem “extremamente humano, correto”, não tendo dúvidas de que “vai ser o presidente de todos os portugueses”.
A comerciante contou ainda que o António José Seguro, conhecido por ser “muito discreto”, mantém uma forte ligação à terra. Recordou que sempre que ali passa, faz questão de dizer que “está cá para ajudar”. A última vez que o fez, lembrou, foi em agosto do ano passado, mês em que ainda não tinha apresentado a candidatura a Belém.
Natividade Marques não esquece broa que vendeu a Seguro
No único café da rua onde mora António José Seguro, a proprietária, Natividade Marques guarda um episódio que ilustra o lado mais simples do Presidente da República eleito. Há cerca de três meses, entrou à procura de pão com chouriço, que ela própria faz. “Ele dava aulas no norte e ao fim de semana vinha à procura de pão com chouriço. Nesse dia eu não tinha”, contou.
A resposta ficou-lhe na memória: “Então levo a broa de milho. Quem não tem cão, caça com gato”.
“Nunca mais me esqueço”, disse Natividade Marques, esboçando um sorriso.
Apesar de não ser um cliente assíduo, a sua esposa frequenta o espaço com mais regularidade.
Na mesma rua onde mora António José Seguro, existe uma loja de malas e sapatos. Nadina Manuel trabalha há 17 anos no espaço, e confessou ao Diário de Leiria que raramente se cruzou com António José Seguro. “Anda na vida dele e se calhar sai pela garagem”, comentou, entre risos. Ainda assim, a ideia que guarda dele e da família é de “pessoas muito reservadas e sérias”.
A comerciante também espera que a eleição de Seguro leve mais visibilidade à cidade e ao negócio.
Na Praça da Fruta, o histórico mercado da cidade localizado a poucos metros da ‘famosa’ rua, o vendedor Patrick Pereira admitiu não ter “muita convivência” com António José Seguro. “Quem vinha aqui muitas vezes era a mulher e os filhos, mas já há muito tempo que não os vejo por aqui”, referiu.
No domingo, Patrick Pereira não estava presente no mercado, mas sabe que, depois de António José Seguro votar, passou por lá e “cumprimentou” alguns vendedores.
Para Adélia Gomes, ainda é prematuro antecipar que tipo de Presidente da República será António José Seguro.
“Só o tempo o dirá”, afirmou, reconhecendo que poderá “vir a ser bom” para as Caldas da Rainha.
Entre a expectativa e a prudência, há uma certeza partilhada na rua: a presença do Presidente da República levará mais segurança e mais olhares àquela zona. Mas, para quem ali vive há anos, o essencial mantém-se. Antes de ser Chefe de Estado, foi - e continua a ser - o vizinho que cumprimenta e que passa discreto.|








