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Turismo religioso pode ser “estímulo” para a recuperação da região

O reitor do Santuário de Fátima assegurou que o turismo religioso poderá ajudar a região a recuperar “a todos os níveis”. Veja o vídeo.

O reitor do Santuário de Fátima, Carlos Cabecinhas, considerou que o turismo religioso pode servir de “motor” e “estímulo” para a recuperação da região Centro, fortemente atingida pelas tempestades.

Ao nosso jornal, à margem da 13.ª edição dos Workshops Internacionais de Turismo Religioso, que começou hoje em Fátima, Carlos Cabecinhas lembrou o “rasto de destruição” deixado pela depressão Kristin, que mantém ainda “a vida de muitas pessoas em suspenso” e provocou danos em inúmeras infraestruturas.

“Com a importância económica que tem, o turismo religioso pode ser um importante motor e estímulo para a recuperação desta região, e, concretamente, em Fátima. Eu creio que há condições e uma das condições fundamentais é que as entidades se mobilizem, nomeadamente na recuperação de infraestruturas”, salientou o sacerdote.

Questionado sobre se o turismo religioso poderá contribuir para a recuperação mais ao nível económico, o reitor do santuário assegurou que poderá ajudar “a todos os níveis”. “Também a nível económico, porque o turismo é uma atividade económica relevante, mas vai muito além disso. Uma das coisas que sentimos hoje é um profundo desânimo de muitas pessoas. Fátima pode ser uma ajuda e um estímulo para reerguer o ânimo dessas pessoas”, observou.

Sobre os danos causados pela tempestade, Carlos Cabecinhas adiantou que “muitos caminhos de Fátima ficaram atingidos” e “precisarão, de alguma forma, ser recuperados e valorizados”. “Mas há condições para que o turismo religiosos aqui na região possa ajudar e contribuir para a recuperação das partes mais atingidas”, concluiu.

Durante a sessão de abertura do evento, que decorre até amanhã no Centro Pastoral Paulo VI, o presidente da Aciso – Associação Empresarial Ourém-Fátima, Pedro Mafra, começou por destacar a dimensão internacional dos 'workshops' de turismo religioso com a presença de 132 ‘buyers’, 136 ‘suppliers’ e 41 expositores, provenientes de 42 países, num total de 35 mercados representados por operadores turísticos.

“Estes números demonstram a dimensão e o impacto crescente. Mais importante que os números é o impacto que geram, económico, promocional e na criação de relações a longo prazo”, afirmou.

Pedro Mafra frisou que “Fátima continua a afirmar-se como um destino global”, tendo recebido 6, 5 milhões de peregrinos em 2025. Relativamente à atividade turística, o concelho de Ourém registou 1, 28 milhões de dormidas no mesmo o ano, o que, segundo o responsável, representa um aumento de 2% face a 2024.

Para Rui Ventura, presidente da Turismo Centro de Portugal, estes ‘workshops’ constituem a “maior bolsa de contactos mundial dedicada ao turismo religioso”. “Fátima é o ativo global, é um dos maiores centros de peregrinação do mundo. (…) Durante todo o ano é destino, mas também é porta de entrada para o Médio Tejo, Centro de Portugal e Interior”, sustentou.

O responsável sublinhou que 2025 foi o melhor ano turístico de sempre para o Centro de Portugal, com cerca de 8,5 milhões de dormidas (+1,4% face a 2024) e 552 milhões de euros gerados (+7,2%), representando já 10,3% das dormidas nacionais, resultados que atribui a uma “estratégia consistente”.

Depois de um verão marcado por “incêndios severos” e de um inverno com tempestades e períodos de chuva intensa, reconheceu que há infraestruturas danificadas e empresários a precisar de apoio, deixando uma mensagem de esperança: “O Centro de Portugal já superou incêndios devastadores e tempestades e voltará a superar este momento, porque temos resiliência, visão e estratégia”, salientou.

Confederação alerta para “consequências negativas” no turismo

Por seu turno, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, considerou ser “cedo para ter uma noção dos prejuízos” causados pela tempestade, mas alertou para as consequências negativas em vários setores, incluindo o turismo.
Na sua intervenção, defendeu que para continuar a acelerar o crescimento turístico é necessário “atrair turistas com maior poder de compra, dispostos a pagar preços mais elevados. Para isso, considerou indispensável reforçar as ligações aéreas.
“Precisamos de um novo aeroporto o quanto antes”, afirmou, apelando ao Governo para que avance com uma solução intermédia enquanto o aeroporto de Alcochete não se torna realidade. “Trata-se de uma necessidade do país”, alertou.
Respondendo a Francisco Calheiros, o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, assegurou que “Portugal tem hoje uma opção estratégica para valorizar aquilo que é um dos elementos chave”, referindo-se à mobilidade. “Nós olhamos para essa estratégia de alargamento, muito em particular para os novos mercados, nomeadamente Argentina, México e países com os quais queremos reforçar a nossa conectividade”, adiantou.
Pedro Machado acrescentou que o reforço de rotas para Brasil, Estados Unidos e Canadá é outra das apostas do Governo.
Sobre as tempestades que têm assolado o país, o governante destacou o valor da solidariedade e “capacidade de trabalho” demonstrada pela região.

Fevereiro 19, 2026 . 14:32

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