
Transportela perde stock e fica com exploração bovina afetada
Três semanas depois da passagem da depressão Kristin pela região, as marcas da tempestade continuam bem visíveis em empresas e explorações agrícolas. A recuperação faz-se dia após dia, num esforço constante para manter a atividade e cumprir os compromissos com clientes.
A Transportela, empresa de logística sediada nos Parceiros, concelho de Leiria, é também proprietária de uma exploração bovina em Monte Real que foi severamente afetada. Ainda antes da chegada da tempestade, o rio Lis começou a galgar as margens, rebentando em vários pontos do concelho. A 27 de janeiro, o rio inundou os Campos do Lis, em Monte Real, onde se localiza a exploração bovina da empresa.
Ao Diário de Leiria, a gerente, Gina Gonçalves, explicou que ainda não foi possível apurar a totalidade dos prejuízos, uma vez que o caudal do rio não regressou à normalidade naquela zona. “Conseguimos retirar alguns animais no momento, mas outros não. Ficou lá um trator debaixo de água enquanto tentávamos salvar os bovinos. O meu marido saiu de lá com a água pela barriga”, relatou.
Também a atividade logística sofreu danos significativos. Os armazéns ficaram destelhados, a mercadoria armazenada foi atingida pela chuva e um dos camiões “caiu para o lado com o vento”. A empresa continua sem um espaço adequado para guardar os produtos que transporta, o que tem condicionado a operação diária.
A energia elétrica só foi restabelecida na semana passada, obrigando à adoção de soluções provisórias durante o período em que estiveram sem luz e Internet. “Pedimos a um amigo da zona de Aveiro para irmos trabalhar para lá, porque não tínhamos acesso à internet”, explicou. Ainda assim, o processo revelou-se difícil: sem acesso aos servidores habituais, o trabalho acumulou-se e os atrasos tornaram-se inevitáveis.
No momento em que a tempestade atingiu o país, havia motoristas da Transportela em França. Garantir o contacto com eles tornou-se prioridade. “Estavam aflitos porque não conseguiam saber das famílias, nem nós deles”, recordou. Só a partir de Aveiro conseguiram restabelecer comunicações e organizar o regresso “o mais depressa possível”, já que muitos tinham também as suas casas afetadas.
Com os estragos acumulados, a empresa enfrenta agora dificuldades em responder às exigências do mercado internacional. Entre cancelamentos e atrasos, a Transportela procura recuperar a normalidade e assegurar o cumprimento dos compromissos assumidos além-fronteiras.







