
Rui Ventura quer afirmar o Centro como destino de todo o ano
Esta é a sua primeira participação na BTL enquanto presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal. Que expetativa tem em relação à participação desta entidade no certame?
Tenho as melhores expetativas para a participação da Turismo Centro de Portugal. A BTL é o barómetro do setor do turismo em Portugal e a nossa grande "sala de visitas". Esta participação vai ser, estou certo disso, o reflexo de uma região rica e diversificada. Para isso, preparámos uma programação dinâmica, pensada para surpreender, inspirar e dar a conhecer o melhor do Centro de Portugal a todos os visitantes. Ao longo dos cinco dias, vamos apresentar novos projetos estruturantes para a região, vamos ter momentos de showcooking com os chefs embaixadores do território, vamos surpreender com experiências interativas que darão a conhecer a autenticidade, a diversidade e a identidade diferenciada do destino.
A nossa presença será marcada pelo binómio Tecnologia e Autenticidade. Sob a assinatura “Aqui nunca é demais”, a estratégia da participação foca-se em usar a inovação para dar escala à nossa diversidade. Não queremos a tecnologia pela tecnologia, mas sim ao serviço da identidade do território. Apostamos num stand altamente tecnológico, precisamente para conseguir agregar e mostrar, num só espaço, toda a riqueza do território. É através destas ferramentas que vamos personalizar a experiência do visitante, mostrando que o Centro de Portugal é um destino contemporâneo, que sabe usar o digital para potenciar o que tem de mais genuíno.
A Turismo Centro de Portugal tem sempre uma presença forte na BTL. Como será marcada essa presença nesta edição? Com que estratégia, com que apostas e com que mensagem?
Nesta edição, a presença do Centro de Portugal é guiada pela assinatura “Aqui nunca é demais”. Esta é a nossa garantia: um destino onde as experiências se multiplicam e se renovam. A nossa estratégia assenta em mostrar um território coeso e contemporâneo, onde a tecnologia não substitui o contacto humano, mas serve para o potenciar.
O primeiro é o projeto “Sabores ao Centro”, em que a gastronomia e os vinhos são apresentados como expressões maiores da nossa identidade. No stand, teremos uma experiência gastronómica imersiva onde, através de imagem, som e aromas, o visitante faz uma viagem sensorial pela região, complementada por showcookings com chefs embaixadores que valorizam os nossos produtos endógenos.
O segundo eixo é a inovação tecnológica. Vamos demonstrar como a inteligência artificial pode estar ao serviço do turista – com assistentes virtuais que ajudam a desenhar roteiros personalizados no momento, de forma a que quem nos visita saia da feira com um plano de viagem concreto, ajustado aos seus interesses reais.
O terceiro pilar é o lançamento da marca “MOVE Centro Portugal, the Sports Region”. Esta é uma aposta estratégica para organizar a nossa oferta de turismo ativo e desportivo. Queremos posicionar o Centro como o destino de eleição para grandes eventos e modalidades como o trail, o ciclismo, o surf ou os desportos motorizados, integrando-os na paisagem natural de forma sustentável.
Mas o elemento que une toda esta estratégia é o nosso novo filme promocional, “Aqui nunca é demais”, que será a peça central da nossa narrativa. É um filme que cruza a ficção com a promoção turística e que tem uma mensagem inspiradora: visitar o Centro de Portugal é uma oportunidade de regresso ao centro essencial do que significa ser humano. É este equilíbrio que queremos que cada visitante sinta no nosso stand.
Como está hoje posicionada a região Centro no panorama turístico nacional? De que modo é que o vão fazer notar durante esta edição da BTL?
O Centro de Portugal posiciona-se hoje como o garante da diversidade e da sustentabilidade do turismo nacional. É o território onde o turista encontra a "alma" do país e com múltiplos atrativos – não é um destino turístico massificado, em que os pontos de interesse estão concentrados.
Fazemos notar este posicionamento através da nossa escala: estamos na BTL com as oito Comunidades Intermunicipais da região, os nove projetos PROVERE, as cinco comissões vitivinícolas, instituições e empresários. No entanto, embora a nossa estratégia seja de união, a organização física da feira ainda nos coloca o desafio da dispersão, com a Turismo Centro de Portugal num pavilhão e as CIM e municípios noutro. Enquanto Presidente, considero que as regiões seriam beneficiadas se todas as suas entidades estivessem representadas no mesmo pavilhão. Esse seria o modelo ideal para a nossa participação, permitindo que o visitante sentisse, num único espaço, toda a força e a coesão do território. É por esse modelo de "casa comum" que estamos a trabalhar, para que a marca Centro de Portugal seja comunicada com a máxima eficácia e proximidade.
O Centro tem apostado na diversidade territorial — litoral, interior, natureza, património, termalismo, gastronomia, vinhos. Que produtos âncora vai a Turismo Centro Portugal querer levar ou reforçar no decorrer do certame?
Para 2026, reforçamos a aposta em produtos que unem o território através da experiência. Na gastronomia, o projeto 'Sabores ao Centro' ganha escala com a presença de chefs embaixadores de todas as sub-regiões em momentos de showcooking diários. No turismo desportivo, a grande aposta é a marca 'MOVE Centro Portugal', que vamos apresentar na feira e que agrega clusters estratégicos como o Ultra Trail (Oh Meu Deus), o motocross (MXGP Portugal) e o atletismo (Maratona da Europa). Reforçamos também o Turismo Industrial e o Turismo Militar, com atividades específicas para famílias, como a descoberta do Museu Nacional Ferroviário e a Rota dos Templários. Estes produtos não são estanques; cruzam-se. Um turista que vem para um evento de Trail (MOVE) acaba por consumir a nossa gastronomia e visitar o nosso património classificado pela UNESCO.
Como é que este território está neste momento a competir com regiões como Algarve ou Lisboa, que têm maior notoriedade, nomeadamente internacional?
A nossa competição não é por volume de dormidas, mas por valor da experiência usufruída. Lisboa e Algarve são destinos maduros e, sem dúvida, marcas internacionais fortes, mas o Centro de Portugal oferece algo que o turista contemporâneo valoriza cada vez mais: autenticidade e espaço.
Competimos através da diferenciação. Quando um turista internacional procura o Centro, procura uma relação mais próxima com as comunidades, procura usufruir de tempo e de silêncio, procura um destino que não é massificado, procura uma diversidade que não encontra num destino de "sol e mar" tradicional. A nossa estratégia de promoção internacional, muitas vezes em parceria transfronteiriça com regiões espanholas, permite-nos ganhar escala e apresentar-nos como um destino ibérico integrado de excelência.
A coesão territorial é sempre um desafio. Como - com que produtos, parcerias, estratégias - tem sido possível atrair mais turistas ao interior da região?
A coesão faz-se com estruturação de produto e trabalho em rede. O interior não pode ser apenas um "complemento" ao litoral; tem de ter motivos de visita próprios e fortes. Temo-lo conseguido através de redes como as Aldeias do Xisto, Aldeias Históricas e Aldeias de Montanha, que são casos de sucesso internacional no desenvolvimento local através do turismo. As parcerias com as Comunidades Intermunicipais são fundamentais aqui, pois permitem-nos alinhar o investimento em infraestruturas e produtos turísticos. Fundamental é também a estreita ligação com a Agência Regional de Promoção Turística Centro de Portugal, vocacionada para a promoção no estrangeiro, que tem levado a região a mercados cada vez mais distantes e emergentes.
Com estes esforços conjuntos, asseguramos que a riqueza gerada pelo turismo chega às comunidades mais recônditas – o que é, afinal, o grande desígnio desta atividade.
O território ‘gerido’ pela Turismo Centro de Portugal aposta em atrair o mercado externo e também interno. Essa distinção será feita no decorrer desta BTL? De que forma?
Sim, a BTL tem duas vertentes e nós comunicamos para ambas. Nos primeiros dias, dedicados aos profissionais, o nosso foco é o B2B (Business to Business). Estamos lá para fechar parcerias, captar novos operadores e mostrar que o Centro de Portugal é um destino seguro e inovador. Já no fim de semana, quando as portas se abrem às famílias, comunicamos mais para o mercado interno, que é ainda a nossa base de sustentação. Aí, a distinção faz-se através de animação, degustações e experiências sensoriais que visam convencer os nossos compatriotas de que não precisam de sair do país para usufruírem de férias ou fins de semana inesquecíveis.
A Turismo Centro de Portugal tem sempre um programa intenso durante os cinco dias do certame. Que momentos destacaria desse programa?
O nosso programa é um reflexo fiel da vitalidade regional, com uma dinâmica constante ao longo dos cinco dias. Destaco, no dia de abertura (25 de fevereiro), a inauguração oficial do stand Centro de Portugal, a que se segue a apresentação do Plano Regional de Desenvolvimento Turístico e do Plano de Marketing, pelo Professor Carlos Costa, que define a nossa visão estratégica de 'Mobilizar a Região'. Nesse mesmo dia, lançamos a edição deste ano do 'WRC Vodafone Rally de Portugal”, um evento de projeção mundial. Outros momentos fundamentais são o lançamento da nova marca 'Move Centro Portugal - The Sports Region' no dia 26, focada no turismo ativo, e a celebração da cultura viva no dia 27 com o I Fórum de Geoparques Mundiais da UNESCO da CPLP e as comemorações do Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores.
Um momento de grande simbolismo e carga emocional será o Jantar Oficial do Centro de Portugal na BTL, no dia 25, em que faremos o lançamento do nosso novo filme promocional, “Aqui nunca é demais” – um filme promocional que cruza ficção e narrativa turística e que é um convite à reflexão sobre tecnologia, humanidade e o impacto profundo de um território.
Que objetivos espera ver alcançados no final de mais uma presença da Turismo Centro de Portugal nesta que é a maior feira de turismo do país?
Espero que, no final da feira, tenhamos reforçado a notoriedade da marca e gerado valor real para as centenas de municípios, empresas e associações que representamos. O sucesso não se mede pelos brindes distribuídos, mas pelos contactos de negócio efetuados e pela perceção de que o Centro de Portugal está na vanguarda do setor.
Queremos sair da BTL com o sentimento de dever cumprido em relação à união da região e com a garantia de que os visitantes levam consigo uma vontade genuína de nos visitar nos próximos meses.
Como avalia os resultados turísticos de 2025 no Centro de Portugal?
2025 foi o melhor ano de sempre para a região, um ano de superação de todas as metas. Ficámos muito perto de atingir a barreira histórica das 8,5 milhões de dormidas, crescendo acima da média nacional em vários indicadores. Muito importante também é o crescimento de 7,2% nos proveitos totais, que ultrapassaram os 552 milhões de euros. Isto significa que estamos a atrair um turista que consome mais no território, o que tem um impacto direto na economia das nossas vilas e cidades.
Devo recordar que estes números positivos foram alcançados apesar de um agosto extremamente difícil, em que a região foi castigada por grandes incêndios, que afetaram os resultados no verão. Mesmo assim, foi o melhor ano de sempre, o que confirma a eficácia da estratégia de promoção e a capacidade de reinvenção permanente dos empresários.
O turismo interno continua a ser decisivo ou a aposta é cada vez mais internacional?
No plano internacional, Espanha mantém-se como o principal emissor pela proximidade geográfica e cultural, seguindo-se França, EUA, Brasil e Alemanha. Itália, Reino Unido, Polónia, Países Baixos, Canadá e, curiosamente, a Coreia do Sul são também mercados com um peso significativo na região.
Estes resultados não são conjunturais. São o reflexo de uma estratégia consistente de diversificação de produto, qualificação da oferta e internacionalização sustentada.
Quais são hoje os principais mercados emissores para a região?
Não é uma escolha entre um ou outro, é um equilíbrio necessário. O mercado nacional continua a ser o nosso maior pilar, representando a base da nossa estabilidade, com 58,7% das dormidas. O turismo interno é decisivo para a nossa sustentabilidade ao longo de todo o ano; são os portugueses que mantêm muitas das nossas unidades abertas na chamada "época baixa".
No entanto, num mundo globalizado, a promoção internacional é fundamental para o crescimento do valor e para a afirmação da marca. Uma aposta não invalida a outra.
Que metas de crescimento tem a Turismo Centro de Portugal para 2026? De que modo as tempestades que assolaram a região podem prejudicar a curva ascendente que tem tido nos últimos anos em termos de atração turística?
Para 2026, a nossa meta é a consolidação. Queremos manter os níveis de dormidas de 2025 e continuar a subir o valor médio dos proveitos por quarto disponível. Sobre as tempestades, nomeadamente a Kristin, é um facto que o primeiro trimestre será afetado. As infraestruturas e o produto turístico foram profundamente impactados e, em muitos territórios, vão demorar a recuperar. Mas a nossa curva ascendente é estrutural e não conjuntural. Estamos a trabalhar em articulação direta com o Turismo de Portugal e com a Secretaria de Estado do Turismo, Comércio e Serviços para agilizar os apoios à reconstrução. A nossa presença na BTL é, aliás, a melhor resposta a essas adversidades: enquanto monitorizamos os danos em articulação com a tutela, apresentamos uma região que continua a investir em eventos de classe mundial e em novos modelos de promoção para garantir que a curva ascendente do turismo no Centro de Portugal não seja interrompida.








