
Tempestade destrói 20% da produção nacional de resina
A campanha de resinagem deste ano está em risco devido à passagem da depressão Kristin pela região, que destruiu milhares de árvores no concelho, “colocando em causa a continuidade de uma atividade essencial para a gestão da floresta, a redução do risco de incêndio e a fixação de população no interior do país”, segundo a Resipinus, Associação de Destiladores e Exploradores de Resina.
A associação, a única representativa do setor em Portugal, alertou para o impacto severo da tempestade na produção nacional de resina natural. Dados preliminares recolhidos no terreno, em articulação com proprietários florestais e resineiros, apontam para uma quebra de 20% da produção nacional, correspondente a 1.500 toneladas de resina e a um prejuízo estimado de cerca de dois milhões de euros. A tempestade provocou ainda a destruição ou comprometimento de 750 mil bicas, afetando aproximadamente 2.500 hectares de pinhal.
A Resipinus conta atualmente com 20 entidades associadas oriundas da região de Leiria, sendo que cerca de 100 postos de trabalho estão diretamente afetados. Segundo a vice-presidente da associação, Ana Luísa Costa, um dos principais desafios passa agora por garantir apoios para os profissionais afetados. “Muitos são trabalhadores independentes ou pequenas empresas familiares, de pai e filho, que ficaram sem nada”, afirmou.
A Resipinus participou numa auscultação setorial promovida pelo Governo em fevereiro, onde apresentou propostas para mitigar os impactos da tempestade e assegurar a continuidade da atividade. “Apesar do envio formal dessas propostas no início de fevereiro, o setor continua a aguardar soluções por parte do Governo”, salientou Ana Luísa Costa.
Entre as medidas defendidas pela associação estão a simplificação do reporte de prejuízos, a operacionalização urgente dos meios adquiridos ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e apoios extraordinários para garantir a subsistência dos operadores. Apelou também ao Governo para a cedência de áreas de matas públicas geridas pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, permitindo que os produtores afetados possam continuar a explorar novas áreas e minimizar a quebra na produção.
Ainda sem resposta das entidades, alguns operadores ponderam procurar alternativas fora do país. “Estamos a procurar explorações em Espanha, quando existe potencial em Portugal que não está a ser utilizado, porque as entidades públicas esquecem-se que esta atividade existe”, afirmou a vice-presidente.
Ana Luísa Costa recorda ainda que “a floresta não se regenera de um dia para o outro. Cada área perdida representa um impacto estrutural e prolongado no setor”.







