
Famalicão e Nazaré acolheram comemorações oficiais do 25 de Abril
As comemorações oficiais do 25 de Abril no concelho da Nazaré decorreram entre Famalicão e a vila da Nazaré, num programa que reuniu momentos institucionais, homenagens e reflexão em torno dos valores da Revolução dos Cravos.
Durante a manhã, em Famalicão, teve lugar a sessão solene evocativa da data, seguida da inauguração de um monumento de homenagem aos antigos combatentes, que segundo a autarquia representou "um momento de reconhecimento coletivo para com todos os que serviram o país".
Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal da Nazaré, Serafim António, destacou o simbolismo da obra, afirmando que “este monumento é mais do que uma peça física. É um lugar de memória, um espaço de respeito e dignidade”. O autarca sublinhou ainda a importância de preservar os valores conquistados com a revolução, alertando que “os direitos conquistados não são garantias permanentes: são valores que exigem cuidado todos os dias”.
Ao longo da sessão, o 25 de Abril foi consensualmente apontado como um momento fundador da liberdade e da democracia em Portugal. O presidente da Assembleia Municipal, Ricardo Neves, evocou o fim da ditadura e o “reencontro de Portugal com a dignidade”, destacando a relevância da pluralidade de opiniões e da participação cívica.
Também as diferentes forças políticas marcaram presença com intervenções centradas nos desafios atuais. Pedro Nobre, em representação do Chega, defendeu que a data deve ir além da celebração simbólica, apontando preocupações com as condições de vida dos reformados, o acesso à saúde e a situação dos pescadores, sublinhando a necessidade de combater a corrupção e reforçar a confiança nas instituições.
Pela CDU, Geraldo Viola, evocando palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen, afirmou que celebrar Abril é “recusar o esquecimento” e continuar a exigir o cumprimento dos seus ideais. Já Raquel Romão, pelo PS, destacou as conquistas alcançadas, mas lembrou desafios como a precariedade laboral, o acesso à habitação e o aumento do custo de vida, defendendo que assinalar a data implica também olhar para o futuro.
Por sua vez, Rogério Serrador, do PSD, alertou para o carácter não definitivo da liberdade, afirmando que esta pode ser reversível e defendendo uma democracia assente na participação ativa e no combate à desinformação.
A sessão solene assumiu este ano um caráter descentralizado, tendo lugar em Famalicão como forma de aproximar as comemorações às várias comunidades do concelho. Durante a tarde, na vila da Nazaré, o programa prosseguiu com uma homenagem a Álvaro Laborinho Lúcio, culminando numa mesa-redonda no Teatro Chaby Pinheiro, aberta à comunidade.








