
PRF apresenta solução inovadora para a integração de hidrogénio nas redes de gás natural
A empresa leiriense PRF – Gas Solutions apresentou, esta terça-feira, o projeto H2NG, uma solução tecnológica inovadora que permite integrar hidrogénio nas redes de gás natural, contribuindo para a descarbonização do setor energético. O projeto resulta de vários anos de investigação e desenvolvimento e procura responder a um dos principais desafios da transição energética.
“Descarbonizar os consumos de gás natural em Portugal, como quaisquer outros consumos de energia, é uma necessidade que temos não só em Portugal, mas de uma forma geral no mundo”, afirmou o administrador, Paulo Rui Ferreira, sublinhando a urgência de encontrar alternativas mais sustentáveis.
Uma das vias para essa descarbonização passa pela substituição progressiva do gás natural por gases renováveis. No entanto, enquanto o biometano pode ser introduzido nas redes sem grandes, o hidrogénio apresenta desafios técnicos significativos. “A molécula do hidrogénio é diferente e há aqui uma quantidade de obstáculos, desde logo garantir a homogeneidade da mistura. Não se pode simplesmente injetar hidrogénio no tubo sem termos a certeza absoluta de que a mistura é homogénea”, explicou.
Foi precisamente esse o principal problema que o projeto H2NG procurou resolver. Segundo o responsável, até agora “não havia ainda no mundo uma solução que fosse capaz de garantir esta homogeneidade da mistura dentro do gasoduto”. A este desafio juntou- -se outro: desenvolver uma tecnologia que pudesse ser instalada sem interromper o funcionamento das infraestruturas existentes. “O desafio foi conseguir montar esta tecnologia num gasoduto em funcionamento”, acrescentou.
A solução resulta de um consórcio que junta a PRF, a STREAM, a Universidade de Coimbra e a ADAI – Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial. “Foi preciso este consórcio de quatro entidades, várias cabeças alinhadas para encontrar uma solução”, destacou.
Atualmente, o projeto encontra-se na fase de prova de conceito, com testes laboratoriais já realizados a uma escala próxima da realidade industrial. “O caudal que fazemos aqui é, por exemplo, o necessário para abastecer a cidade de Braga. Já não é uma coisa meramente laboratorial”, referiu Paulo Rui Ferreira, adiantando que a instalação no terreno deverá começar “muito brevemente”.
A implementação da tecnologia estará, contudo, sujeita à validação das entidades competentes. “Como qualquer tecnologia, terá de passar por entidades como a Direção-Geral de Energia”, reconheceu. Ainda assim, o responsável mostra-se confiante: “Não nos parece que esses trâmites legais sejam um maior obstáculo, porque tudo o que fizemos já foi pensado para cumprir a legislação em vigor”.
Atualmente, a legislação limita a incorporação de hidrogénio nas redes de gás natural a cerca de 20%. Um valor que, apesar de poder parecer reduzido, representa já um impacto significativo no caminho das descarborização. “Estamos a falar de volumes muito, muito grandes de hidrogénio”, salientou. No futuro, acredita que essa percentagem poderá aumentar para 30%, podendo a restante descarbonização ser assegurada através do biometano. “Esse pode ser substituído a 100% e depois ainda complementado com hidrogénio”, explicou.
O desenvolvimento desta solução é o culminar de um trabalho iniciado há cerca de seis anos pela PRF. Numa primeira fase, a empresa criou uma tecnologia para redes de baixa pressão, já em funcionamento há quatro anos. A solução agora apresentada destina-se a redes de média e alta pressão e envolveu cerca de dois anos e meio de trabalho intensivo.
“Foi um investimento grande, sobretudo em termos de pessoas, horas de trabalho e dedicação, mas também em equipamentos e infraestrutura”, referiu o administrador da empresa.
Com o projeto H2NG, a PRF posiciona-se na linha da frente da inovação no setor energético, contribuindo para acelerar a transição para fontes mais limpas e sustentáveis.








