
Avião histórico deverá ficar totalmente desmontado na próxima semana
A operação de reabilitação estrutural e estética da aeronave Beechcraft C-45 Expeditor, instalada no Parque Municipal Tenente-Coronel Jaime Filipe da Fonseca, em Leiria — conhecido popularmente como ‘Parque do Avião’ — deverá entrar numa nova fase já na próxima semana, com a total retirada da aeronave do espaço público para dar início aos trabalhos de recuperação.
A intervenção está a ser conduzida pela empresa MS Cariano, com o apoio da Força Aérea Portuguesa, do Museu do Ar e da Câmara de Leiria.
Em declarações ao Diário de Leiria, Fábio Cariano, da MS Cariano, explicou que o avião já foi colocado sobre cavaletes, numa operação necessária para garantir condições de segurança antes da desmontagem das asas e do posterior transporte.
“Foi posicionado o avião em cima de cavaletes. Foram retiradas algumas partes, como os trens de aterragem, para estarmos em segurança e procedermos à retirada das asas, para ser possível o transporte”, explicou.
Os trabalhos sofreram, contudo, um atraso inesperado devido a problemas de saúde do técnico especializado que acompanha a desmontagem da aeronave, antigo mecânico de aviões da Base Aérea de Monte Real. Segundo o responsável, a expectativa é que a aeronave seja totalmente retirada do parque nos próximos dias. “Penso que para a semana”, afirmou.
As peças já desmontadas encontram-se nas instalações da MS Cariano, enquanto o espaço da Xarlie — onde decorrerá parte do processo de recuperação — já está preparado para receber a estrutura principal do avião. “O espaço na Xarlie está preparado para receber o avião e depois organizar todas as peças”, explicou.
A recuperação do avião está também a mobilizar várias empresas, associações e entidades ligadas à aviação, algumas das quais ligadas à formação de mecânicos aeronáuticos. “Temos empresas e até escolas de mecânicos de aviões que ofereceram ajuda”, revelou. Assim, “o próximo passo” será perceber como cada uma poderá “colaborar, distribuir peças e organizar os trabalhos.”
Apesar de já antecipar a complexidade logística da operação, o responsável admite ter sido surpreendido pelo estado de degradação de alguns componentes da aeronave. “Sempre tive a ideia de que a maior parte das peças eram em alumínio e pensei que seria mais fácil. Mas o material está muito calcificado, muito agarrado, e tivemos alguma dificuldade em retirar os trens de aterragem”, explicou.
A desmontagem das asas será uma das próximas etapas críticas da operação, embora Fábio Cariano espere que o processo decorra com maior facilidade.
Quanto ao prazo para a conclusão total da recuperação, o responsável prefere não avançar datas. “É um processo demorado. Não quero criar expectativas erradas. Só depois de montar e perceber melhor o estado das peças é que será possível ter uma noção mais concreta”, concluiu.
A recuperação do Beechcraft C-45 Expeditor, que ficou fortemente danificado na sequência da depressão Kristin, pretende preservar um dos símbolos mais emblemáticos da cidade de Leiria e devolver ao ‘Parque do Avião’ uma peça histórica ligada à memória da aviação e da comunidade local.







