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Projeto leva educação ambiental porta-a-porta

Em Regueira de Pontes, a reciclagem tornou-se mais do que uma obrigação ambiental. Transformou-se numa rotina familiar, onde muitas vezes são as crianças a dar o exemplo

 

Na freguesia da Regueira de Pontes, concelho de Leiria, a reciclagem não começa no ecoponto nem termina no camião da recolha. Começa dentro de casa, muitas vezes pelas mãos dos mais novos. É essa uma das principais conclusões do projeto RecicLar, uma iniciativa-piloto da Câmara Municipal que, desde 2022, tem vindo a testar um sistema de recolha seletiva porta-a-porta e a promover novos hábitos ambientais junto da população. 

A experiência arrancou em plena pandemia, um contexto que dificultou a apresentação do projeto aos moradores e a distribuição dos contentores. Ainda assim, quatro anos depois, o balanço é positivo. Segundo o vereador com o pelouro do Ambiente da Câmara de Leiria, Luís Lopes, são atualmente mais de 700 famílias que aderem ao sistema que disponibiliza contentores específicos para diferentes tipos de resíduos, permitindo uma separação mais eficaz dentro da própria habitação. 

Mas o impacto do projeto vai além da recolha de resíduos. Segundo o responsável, uma das maiores surpresas foi perceber a forma como “as famílias se apropriaram da iniciativa” e a influência que as crianças passaram a ter nos hábitos domésticos. 

Essa realidade tornou-se evidente através do trabalho desenvolvido com a Escola Básica da Regueira de Pontes. Os alunos produziram desenhos e materiais de sensibilização associados ao projeto e rapidamente passaram de participantes a verdadeiros ‘embaixadores da reciclagem’ dentro de casa. “Os miúdos são os mentores da reciclagem”, afirma. “São eles que controlam os dias da recolha, que colocam os contentores na rua e que lembram os adultos da importância de separar corretamente os resíduos”, acrescenta Luís Lopes. 

A aposta na educação ambiental revelou-se uma das principais mais-valias do RecicLar. Ao levar o sistema diretamente às habitações, o projeto cria uma relação de proximidade que não existe nos modelos tradicionais de recolha, incentivando comportamentos mais conscientes e uma participação mais ativa das famílias. 

O projeto foi também alargado a outras realidades da freguesia, incluindo empresas, serviços e instituições locais, permitindo testar a eficácia do modelo de recolha seletiva em contextos distintos do doméstico. “Fomos adaptando o projeto à zona industrial, à escola e ao centro social, para perceber se o tipo de contentorização era adequado ou não e até encontrar outras soluções para trabalhar a mesma lógica”, explica Luís Lopes. O responsável sublinha que esta diversificação permitiu recolher informação valiosa para o futuro, contribuindo para aperfeiçoar o sistema e avaliar a sua possível expansão a outras áreas do concelho. 

Apesar dos resultados positivos, o futuro do RecicLar continua em avaliação. O modelo exige mais recursos humanos e logísticos do que a recolha convencional, tornando a sua expansão um desafio. Ainda assim, o responsável sublinha que a experiência demonstrou que a mudança de comportamentos é possível quando a educação ambiental entra pela porta de casa. 

Junho 5, 2026 . 18:00

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