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Depressão expõe problema antigo: o amianto nos telhados de Leiria

Os resíduos com amianto representam um risco ambiental e de saúde pública devido à libertação de fibras microscópicas que podem provocar doenças respiratórias graves ou fatais

Quando a depressão Kristin atingiu o concelho de Leiria no final de janeiro, a imagem que ficou foi a de árvores derrubadas, estradas bloqueadas e edifícios danificados. Mas, entre os milhares de toneladas de resíduos gerados pelos fenómenos meteorológicos extremos, emergiu também uma realidade menos visível: a presença generalizada de amianto em coberturas de habitações, anexos agrícolas e antigas instalações industriais. 

Para o vereador da Limpeza Pública e Resíduos Sólidos Urbanos da Câmara Municipal de Leiria, Luís Lopes, a tempestade não criou este problema ambiental. Apenas o tornou evidente. “Há aqui uma nota que ressalva este processo todo, que é nenhum de nós é inocente ao ponto de achar que estas pessoas só agora é que passaram a ter amianto em casa. Estas pessoas sempre tiveram telhados com amianto, tiveram anexos com amianto, tiveram galinheiros com amianto”, afirmou. 

O colapso de centenas de coberturas espalhou pela via pública placas de fibrocimento, um material amplamente utilizado durante décadas na construção civil e que contém fibras de amianto. A sua remoção exige procedimentos específicos, operadores certificados e deposição em aterros próprios, devido aos riscos que representa para a saúde humana quando degradado ou fragmentado. 

A dimensão do problema reflete-se nos números. Até maio, o município tinha já encaminhado cerca de 301 toneladas de resíduos contendo amianto, num processo que representa um custo superior a 560 mil euros.  

Apesar de corresponder a uma quantidade inferior à de outros resíduos recolhidos após as tempestades, é precisamente a complexidade do tratamento que explica os custos elevados. 

Para o autarca, as tempestades vieram mostrar que o desafio ambiental não se resume à limpeza dos estragos provocados pelo vento.  

O episódio trouxe para o espaço público uma questão que há muito fazia parte da paisagem construída do concelho, mas que raramente era discutida: a permanência de milhares de estruturas antigas com fibrocimento. 

A situação tornou-se ainda mais complexa porque nem todos os resíduos foram corretamente encaminhados.  

Segundo o vereador, houve casos de deposição indevida de placas de fibrocimento em parques temporários de resíduos ou junto a contentores, obrigando a tratamentos mais dispendiosos. Em muitos casos, bastava a presença de pequenas quantidades de amianto misturadas com outros materiais para que todo o conjunto tivesse de ser considerado contaminado. 

Num momento em que se assinala o Dia Mundial do Ambiente, a experiência de Leiria deixa uma reflexão mais ampla. Os fenómenos climáticos extremos não provocam apenas danos imediatos; podem também expor fragilidades ambientais acumuladas ao longo de décadas.| ter pessoal do projeto e o percurso de auto-descoberta que o inspirou.  

“Estas experiências deram mais vontade de viver”, refere, explicando que os episódios narrados o levaram a questionar-se e a reinterpretar a forma como encara os desafios do quotidiano.  

Segundo o autor, o livro nasce da procura interior iniciada há vários anos e de um processo de reflexão que o fez reconhecer valor nas próprias imperfeições e experiências vividas. 

Para Rui Sousa, este lançamento representa a oportunidade de partilhar uma mensagem central da obra: a ideia de que cada pessoa tem valor intrínseco e que as experiências de vida podem ser transformadoras. 

Junho 6, 2026 . 11:00

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