
Ordem dos Médicos mobiliza voluntários para apoio médico na Venezuela
A Ordem dos Médicos (OM) está a identificar potenciais voluntários, preferencialmente médicos venezuelanos ou lusodescendentes, para constituir uma bolsa de profissionais que apoiem a recuperação e reconstrução da resposta médica na Venezuela, após os sismos registados em 24 de junho.
Em comunicado, a OM destaca que a catástrofe já provocou quase 1.500 mortos e mais de 3.000 feridos, o que exige o reforço das equipas no terreno. O Gabinete de Apoio Humanitário (GAHOM) ativou mecanismos internos para criar uma reserva de médicos que poderão integrar respostas do Estado português ou de organizações não governamentais credíveis.
A ordem informou o Ministério da Saúde, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e o Ministério dos Negócios Estrangeiros, garantindo total articulação institucional para esta iniciativa.
"Estamos a identificar potenciais voluntários para futuras missões a médio e longo prazo. Os danos provocados pelos sismos vão exigir um apoio médico robusto nos próximos anos", sublinha a Ordem dos Médicos.
O coordenador do GAHOM, Vítor Almeida, acrescenta que "a preocupação da OM é contribuir para a reconstrução da resposta em saúde e ajudar a estancar os previsíveis problemas de saúde gerados pela catástrofe".
O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, afirma que "os médicos portugueses têm uma vasta experiência e capacidade de resposta em cenário de crise" e que "a urgência de hoje dará lugar à necessidade de um apoio mais integrado e estratégico nos próximos meses", sendo este o foco dos trabalhos em curso.
A OM reafirma o seu "compromisso com a solidariedade internacional, com a defesa da vida e com o apoio às populações afetadas por catástrofes naturais, colocando o conhecimento e a competência dos médicos portugueses ao serviço das operações que venham a decorrer na Venezuela".
Os sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, sendo seguidos por mais de 20 réplicas, conforme o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital e na região de La Guaira.
Segundo o mais recente balanço oficial, há pelo menos 1.450 mortos e 3.150 feridos, entre os quais 56 portugueses e lusodescendentes falecidos, e outros 91 desaparecidos ou incontactáveis. A ONU aponta para mais de 50 mil pessoas desaparecidas.
Portugal e vários países da União Europeia enviaram equipas de busca e salvamento. A base de operações da missão portuguesa está sediada em Catia la Mar, La Guaira, área com grande concentração de portugueses e lusodescendentes.







