
ASF admite resultados negativos em algumas seguradoras devido às tempestades
O Presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) admitiu hoje que algumas seguradoras tenham resultados negativos devido ao impacto do comboio de tempestades que atingiu Portugal, mas assegurou que o mercado está “robusto”.
Segundo Gabriel Bernardino, que falou durante o Fórum Nacional de Seguros, organizado pelo Eco Seguros, no Porto, apesar de o ano estar a correr bem, “obviamente, a questão do comboio de tempestades não pode deixar de ser o grande foco do ano”.
“É claramente o evento de maior número de sinistros que nós tivemos, a última contagem já ultrapassa os 210 mil sinistros”, com 1,3 mil milhões de euros de indemnizações, destacou.
O presidente da ASF lembrou que “os seguros existem para estas ocasiões”, apontando que “o setor assegurador, no fim de contas, mostra nestas situações que está capacitado para dar resposta”.
Ainda assim, tendo em conta os resseguros e lógica de mutualidade, implica que só “perto de 9% disto é que vai ser assumido pelas empresas em Portugal, portanto, a grande maioria, obviamente, é assumida pelos resseguradores”.
Bernardino admite, no entanto, “algumas seguradoras no final do ano com resultados globais perto de zero ou negativos por este impacto, mas não é um impacto, de facto, que leve o mercado a ficar de joelhos, antes, pelo contrário”.
No fim de contas, disse, “o mercado mostra-se robusto e isso para nós é, obviamente, muito importante”.
Quanto à falta de seguros de uma parte significativa dos portugueses para fazer face a estas catástrofes, o presidente da ASF disse que se anda “há muitos e muitos, não é anos, é décadas, a falar sobre isto”.
“Não vale andarmos a criticar a classe política relativamente a isto. A classe política tem as suas culpas porque não tomou decisões em tempo certo, mas igualmente todos nós temos culpa”, salientou.
“Nós, enquanto cidadãos, enquanto empresas, enquanto instituições da sociedade civil, temos também de ter uma voz e uma palavra muito significativa”.
“Não temos tido a capacidade de efetivamente potenciar e tornar isto um assunto central na discussão daquilo que é a resiliência da sociedade portuguesa como um todo, entre os cidadãos e as empresas”, referiu.






