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Teatro da Rainha leva ‘Luz nas Trevas’ à ruína da antiga Casa da Cultura

A peça marca também o regresso de Luis Varela ao Teatro da Rainha, companhia residente nas Caldas da Rainha, onde, entre 2010 e 2021, encenou vários espetáculos

O Teatro da Rainha estreia, em 14 de julho, a peça ‘Luz nas Trevas’, de Bertolt Brecht, assinalando o regresso do teatro às ruínas da antiga Casa da Cultura das Caldas da Rainha.

A peça marca também o regresso de Luis Varela ao Teatro da Rainha, companhia residente nas Caldas da Rainha, onde, entre 2010 e 2021, encenou vários espetáculos.

Escrita em 1919, ‘Luz nas Trevas’ destaca-se por “expor, pela primeira vez, o modo como os negócios se processam numa sociedade capitalista”, explica o Teatro da Rainha.

A peça tem como ponto de partida “um divertido conflito de interesses entre dois negócios aparentemente inconciliáveis”, pode ler-se na sinopse do espetáculo em que Paduk, determinado a subir na vida, instala na rua dos bordéis uma exposição para promover a educação sexual da população, transacionando palestras sobre os malefícios da prostituição e as doenças venéreas associadas à corrupção do corpo e da alma.

Madame Hogge, proprietária de um prostíbulo, sente o seu negócio ameaçado, pelo que terá de tomar algumas medidas radicalmente persuasivas, resume a sinopse desta “comédia didática com contornos chaplinescos”.

A mais recente criação do Teatro da Rainha “é um espetáculo que aponta a mira ao falso moralismo de uma burguesia interessada apenas no lucro material”, refere a companhia sobre a encenação que junta ao texto “vários ‘intermezzos’ que oferecem uma forte componente musical e imprimem ritmo a uma história simples, mas rica em subtilezas”.

Pela barraca de Paduk desfilam “o povo, a igreja, o município e quem mais tenha dinheiro para pagar bilhete”. Já sobre quem frequenta o bordel de Madame Hogge, nem uma palavra, que “seria demasiada indiscrição”.

O problema, lembra a ‘madame’ a Paduk, é que se a prostituição acabar este não conseguirá manter o seu negócio moralizante, portanto, “há que gerar consensos”. E os consensos, sublinha o Teatro da Rainha, "são deveras lucrativos onde a hipocrisia impera”.

A peça, que já tinha sido encenada por Luís Varela em 1975 (com um elenco que então integrava o atual diretor artístico do Teatro da Rainha, Fernando Mora Ramos), volta à cena com uma nova produção a contar com a participação de praticamente todo o elenco do Teatro da Rainha, vários amadores na figuração e estagiários da Licenciatura em Teatro da ESAD.CR.

Em cena, estará também uma banda - Rúben Leiria (clarinete), João Heliodoro (saxofone tenor), Alberto Valongo (guitarra elétrica), Francelino Silva (bateria) e Tiago Moreira (guitarra elétrica) - a interpretar, entre outras, músicas originais de Alexandre Branco Weffort sobre poemas e canções de Bertolt Brecht.

A cenografia é de José Carlos Faria, os figurinos de Manuela Bronze, música original de Alexandre Branco Weffort, desenho de luz de Hâmbar de Sousa e desenho de som de Francisco Leal.

A construção cenográfica é de Joel Pereira com assistência de Manuela Ferreira. A nova produção do Teatro da Rainha tem programadas oito apresentações, sempre às 21h30.

Julho 7, 2026 . 10:30

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