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Declarações de Montenegro sobre exames foram “murro no estômago”

Luís Montenegro admitiu “eventuais falhas políticas” no processo de classificação dos exames nacionais, mas considerou existir também “alguma resistência” por parte dos professores à digitalização dos processos.

Os diretores escolares relataram hoje o desalento e a revolta dos professores após o primeiro-ministro os acusar de resistência à digitalização da classificação dos exames nacionais, declarações que descreveram como “um murro no estômago”.

“É um murro no estômago”, lamentou o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), em declarações à agência Lusa.

Filinto Lima reagia assim às declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que admitiu, na terça-feira, “eventuais falhas políticas” no processo de classificação dos exames nacionais, mas considerou existir também “alguma resistência” por parte dos professores à digitalização dos processos.

“Basta ver que os professores não têm todos a mesma opinião sobre este processo. A grande maioria, não tenho dúvida, está com o passo que estamos a dar, mas há alguns que não estão e temos de compreender que isso perturba o processo em si”, disse o governante, perante centenas de apoiantes nas Jornadas “Estado da Nação - Governar com resultados”.

As críticas do primeiro-ministro surgiram depois de o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) ter anunciado mais um dia para concluir o processo de classificação das mais de 300 mil provas, que deveria ter terminado na terça-feira.

“Foram declarações imprudentes, infelizes e injustas”, criticou o presidente da ANDAEP, considerando que o primeiro-ministro parece querer desresponsabilizar o Governo dos problemas registados ao longo do processo de classificação dos exames nacionais do ensino secundário.

Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário estão a ser avaliados em formato digital, mas o processo tem registado falhas técnicas desde o início e, devido aos constrangimentos, o MECI já tinha adiado, em quatro dias, os prazos inicialmente previstos.

“Percebe-se que (o processo) correu mal porque a plataforma funcionou de forma muito deficitária e a digitalização não correu bem”, contrapôs Filinto Lima.

Afirmando que as declarações do primeiro-ministro provocaram “desalento e revolta” entre os professores, o representante dos diretores escolares entende que Luís Montenegro deve retratar-se e “dar uma palavra de agradecimento aos professores”.

A esse respeito, Filinto Lima elogiou o ministro da Educação, que reconheceu os problemas, dando o exemplo de “alguns professores que tiveram de corrigir as provas três vezes” e, por isso, voltou hoje a pedir desculpas e a deixar um “agradecimento especial” a todos os docentes.

Também a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) condenou as declarações do primeiro-ministro, considerando tratar-se de “um ataque inadmissível aos professores e uma inaceitável tentativa de desviar as responsabilidades políticas do Governo relativamente ao caos instalado”.

“Ao relacionar as dificuldades verificadas com a discordância de alguns professores em relação ao modelo adotado e ao insinuar que estes não estão a revelar o profissionalismo exigível, o chefe do Governo ultrapassou todos os limites do aceitável”, afirma a federação sindical, em comunicado.

A Fenprof estende também as críticas a Fernando Alexandre, que justificou a súbita convocatória de professores classificadores com a substituição de outros que entraram de baixa, alegando que o ministro transforma em acusação uma necessidade dos docentes.

Segundo o balanço mais recente, 99% das respostas dos exames nacionais do ensino secundário já estão corrigidas e o MECI mantém a afixação das pautas na sexta-feira.

Julho 15, 2026 . 15:15

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