
Associação sugere reservatórios municipais para gestão da água
A associação ambientalista Quercus apresentou 10 medidas para reduzir perdas e melhorar a gestão da água, uma delas tornar obrigatória a construção de reservatórios municipais, para garantir pelo menos 24 horas de abastecimento.
A associação aponta em comunicado que a água perdida na rede poderia abastecer gratuitamente um terço da população portuguesa e considera que as perdas de água nas redes e os elevados níveis de consumo são incompatíveis com as alterações climáticas, maior frequência de secas e crescente pressão sobre os recursos hídricos.
A Quercus propõe 10 medidas que, considera, ajudariam a resolver o problema, como tornar obrigatória a monitorização online das redes públicas de abastecimento de água, permitindo uma deteção mais rápida de perdas e anomalias.
Criar e reforçar equipas municipais e regionais especializadas na deteção e reparação de fugas, promover o uso de água reutilizada proveniente das ETAR na rega de jardins e outros usos compatíveis e privilegiar a criação e requalificação de espaços verdes com espécies autóctones e plantas de reduzido consumo hídrico são outras propostas.
A Quercus sugere ainda que se generalize a instalação de sistemas de telemetria nos grandes consumidores de água, para uma monitorização permanente de consumos e deteção precoce de desperdícios, e admite um tarifário sazonal para o consumo de água, aplicável durante o verão e em períodos de seca extrema, para incentivar uma utilização mais eficiente.
A associação adianta que a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos deve também reforçar a fiscalização, garantindo que os municípios cumprem a quota de renovação de redes, e aponta a importância de combater as ligações de água ilegais com “penalizações significativas”.
A Quercus “considera igualmente fundamental que a gestão da água deixe de ser encarada apenas como uma resposta às situações de seca, passando a constituir uma prioridade permanente das políticas públicas de adaptação às alterações climáticas”.
No comunicado, citando o mais recente Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal (RASARP 2025), a Quercus aponta para os níveis elevados de perdas de água que subsistem. Em 2024 perderam-se à volta de 187,3 milhões de metros cúbicos de água nas redes de abastecimento, antes de chegarem aos consumidores. É o equivalente a 8,7 piscinas olímpicas de água desperdiçadas por hora e representa um custo económico estimado em 158 milhões de euros.







