
Presidente da Câmara de Leiria diz que falta de efetivos na PSP é insustentável
O presidente da Câmara de Leiria considerou insustentável a falta de efetivos na PSP, após o fecho das esquadras de Leiria e Marrazes no fim de semana, mas aquela força policial assegurou que a resposta não ficou comprometida.
Numa publicação na rede social Facebook, Gonçalo Lopes afirmou que “a falta de efetivos na PSP de Leiria chegou a um ponto insustentável” e classificou como inaceitável que as portas do Comando Distrital e da Esquadra de Marrazes tenham fechado no fim de semana por falta de agentes.
“Algo está a falhar gravemente. Primeiro, as urgências hospitalares. Agora, a segurança pública. O Estado tem de assumir a sua responsabilidade: garantir saúde e segurança à população”, adiantou o presidente do município, recandidato ao cargo nas eleições autárquicas de 12 de outubro.
O socialista Gonçalo Lopes adiantou ter enviado uma mensagem ao secretário de Estado da Administração Interna a transmitir a sua “profunda indignação”.
“A Câmara tem contribuído com recursos para apoiar as forças de segurança, mas não podemos ficar calados perante este esvaziamento”, salientou, referindo que, “em 2010, a PSP tinha mais 100 efetivos do que hoje” e que “o concelho de Leiria cresce, mas os meios da PSP diminuem”.
O autarca disse ser “justo reconhecer o empenho e a dedicação dos agentes que permanecem no ativo, que fazem muito com muito pouco”, mas não chega.
“Para agravar, o processo de aprovação da Polícia Municipal de Leiria continua a arrastar-se. Este atraso é injustificável e está a penalizar diretamente os leirienses”, frisou.
De recordar que o Diário de Leiria noticiou, na edição de quarta-feira, que as esquadras de Leiria e Marrazes da PSP fecharam portas durante três turnos do passado fim de semana.
Em declarações ao nosso jornal, o Comandante Distrital em suplência, António Malheiro justificou o fecho “com a segurança dos edifícios”, garantindo que as esquadras se mantiveram “em funcionamento e com capacidade de atendimento ao público” e que o patrulhamento ‘auto’ das respetivas áreas esteve “sempre garantido durante as 24 horas nos moldes habituais, não comprometendo, em circunstância alguma, a capacidade de resposta às ocorrências nem a segurança dos cidadãos”.
O Comandante Distrital da PSP em suplência reconheceu que “como é do conhecimento público, a diminuição do efetivo policial é um problema transversal a todos os comandos, o que, por vezes, obriga a adaptações ao dispositivo, privilegiando-se a resposta ao cidadão”.
António Malheiro afirmou ainda que a situação foi reportada à Direção Nacional da PSP.
À agência Lusa, o intendente António Dias Malheiro adiantou que, “enquanto se verificarem as carências de efetivos, esta situação pode repetir-se”.
Em 17 de junho, por ocasião do aniversário do Comando Distrital de Leiria da PSP, o seu comandante, Domingos Urbano Antunes, alertou para o “envelhecimento dos recursos humanos”, o que obriga à “acumulação de funções”.
“O que deveria ser uma exceção, tornou-se uma regra. Não podemos deixar de sublinhar que em 2010 possuíamos mais 100 polícias do que em 2025, sendo certo que hoje as exigências operacionais são incomparáveis às da década passada e o quadro de competências mais alargado”, esclareceu o superintendente.
Domingos Urbano Antunes considerou ainda que a falta de recursos humanos torna “difícil garantir a mesma qualidade do serviço policial”.
Uma semana antes, o presidente da Câmara de Leiria anunciou ter pedido uma reunião com caráter de urgência à ministra da Administração Interna para abordar questões relativas à segurança no concelho.
Segundo Gonçalo Lopes, entre essas questões estava a criação da Polícia Municipal, cujo regulamento foi publicado em 08 março de 2024 em Diário da República e aguarda despacho do Governo “desde essa altura”.






